Durante um momento íntimo, o corpo pode estar presente, mas a mente frequentemente se encontra distante, refletindo sobre padrões de beleza impostos. Essa desconexão é uma realidade que muitos enfrentam, especialmente quando se comparam a ideais de perfeição promovidos nas redes sociais. A preocupação com a aparência — seja por causa de barriga, estrias, cicatrizes ou peso — pode tornar a experiência sexual um mero ato físico, enquanto a verdadeira intimidade se esvai.
A psicóloga e psicoterapeuta Roberta Ribeiro Pinto, da Hapvida, destaca que essa percepção distorcida do corpo pode ser o verdadeiro problema. Em um mês que celebra a saúde sexual, com o Dia Mundial da Saúde Sexual em 4 de setembro e o Dia do Sexo em 6 de setembro, a discussão sobre imagem corporal, autoestima e sexualidade ganha relevância. “A forma como nos enxergamos impacta diretamente nossas relações, especialmente na intimidade. A maneira como nos vemos influencia como os outros nos percebem”, explica.
Roberta observa que a exposição constante a imagens de corpos considerados ideais e relações perfeitas pode criar uma “régua” de comparação que afeta a autoimagem. “Nosso cérebro é visual e aprende através do que vê. Isso torna a comparação inevitável e prejudicial”, ressalta. Assim, o foco no prazer pode ser ofuscado por preocupações com a aparência, levando a mudanças de comportamento durante momentos íntimos.
Aparência e Performance
A pressão por uma aparência impecável não se limita ao físico; também se estende à performance sexual. Roberta aponta que, especialmente entre homens, a exposição a conteúdos sobre desempenho sexual pode criar expectativas irreais sobre como deve ser uma relação. “Quando a experiência real não corresponde a esse padrão idealizado, a frustração pode ser intensa”, afirma. Isso resulta em uma busca por soluções rápidas, mas a especialista alerta sobre os riscos do uso constante de medicamentos para melhorar o desempenho.
Mudanças Naturais
Transformações corporais são naturais ao longo da vida — seja durante a gravidez, pós-parto, menopausa, andropausa ou simplesmente com o envelhecimento. Roberta enfatiza que, para aqueles que se acostumaram a uma imagem específica do próprio corpo, essas mudanças podem impactar a autoestima e a percepção de desejo. “É essencial entender que essas transformações fazem parte do ciclo da vida”, observa.
A profissional sugere que ter referências positivas e um espaço seguro para discutir inseguranças pode fazer a diferença. “O autoconhecimento é fundamental para aceitar que o corpo não é estático”, destaca.
O Elogio Ajuda
A construção de uma relação saudável entre corpo e mente não deve ser um esforço solitário. O parceiro pode desempenhar um papel crucial ao criar um ambiente de afeto e comunicação. “Todos nós apreciamos ser elogiados. Conversar sobre o que gostamos e o que nos incomoda pode ajudar a transformar a intimidade, afastando-a da pressão e trazendo-a de volta à conexão”, sugere Roberta.
Ela conclui que essa troca é vital, pois a saúde sexual está intimamente ligada à saúde mental.
Sentir-se Desejável
Por fim, a psicóloga ressalta que desejar mudanças na aparência ou cuidar do corpo não é problemático, desde que essas escolhas venham de um lugar de autoconhecimento e não da pressão externa para atender a padrões. “O importante é reconhecer as mudanças sem permitir que elas definam nosso valor ou a capacidade de vivenciar a sexualidade plenamente”, conclui Roberta. Assim, o verdadeiro objetivo é estar presente, tanto para si quanto para o outro.









